PGR e PF impõem exigência a Vorcaro antes de aceitar nova delação

As negociações para um novo acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro começaram na semana passada em duas reuniões separadas entre seus advogados, a Procuradoria-Geral da República e delegados da Polícia Federal. Ainda não houve sinalização concreta sobre o que será oferecido desta vez. A apuração é de Malu Gaspar.
A proposta anterior, rejeitada em 20 de maio, foi considerada insuficiente por omitir fatos já conhecidos pelos investigadores e por tentar proteger pessoas que deveriam ser mencionadas. Investigadores avaliam que isso ocorreu porque Vorcaro se recusava a admitir culpa nos crimes que levaram à sua prisão em novembro.
Um dos pontos centrais da proposta rejeitada foi o tratamento dado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os anexos não mencionavam o pagamento de uma mesada de R$ 500 mil nem despesas com viagens e jantares na Europa, e omitiam a apresentação da chamada “emenda Master”, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. O capítulo sobre o senador foi chamado por investigadores de “a beatificação de Ciro”.
A proposta também não trazia detalhes sobre a influência do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nos aportes do Rioprevidência em papéis do banco Master. A omissão foi considerada um sinal de que Vorcaro ainda tenta minimizar sua exposição.
A condição colocada nas duas reuniões desta semana é que Vorcaro abandone a postura defensiva e assuma a responsabilidade pelos crimes. “Ele precisa aceitar que uma delação presume confissão de crimes, não é instrumento de defesa”, disse um investigador envolvido nas conversas.
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